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A logística difícil para a construção de gasoduto na floresta


Fonte: Portal Fator

A construção do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, na floresta amazônica, exigiu da Petrobras e das empresas contratadas a adoção de um esquema de logística inédito no Brasil. Não havia estradas ou portos para a condução de equipes e material; não havia fontes de energia instaladas; não havia infra-estrutura de alojamentos, alimentação e comunicações. O cenário era inóspito: mais de 600 km de selva, rios, lagos e pântanos, por onde os dutos teriam que passar entre o centro de captação do gás natural (o poço petrolífero de Urucu) e o destino final.
 
O tema foi abordado pelo engenheiro mecânico Rudy Hamilton Holtz na palestra “Os Desafios da Implantação do Gasoduto Urucu-Manaus na Floresta Amazônica” em sessão técnica da Rio Oil & Gas 2010. Ele participou do trabalho de supervisão do gasoduto no período 2007-2009, quando houve a inauguração da obra pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Especialista da empresa brasileira Altus, responsável pela supervisão, Holtz disse que, para instalar as 24 estações _as URTs (Unidades Terminais Remotas)_espalhadas pelo trajeto, foi necessário, “muitas vezes”, criar os acessos.
 
“A dificuldade toda era de logística. O que você faria em outros locais com transporte rodoviário instalado, não faz na Amazônia. Nessa região o acesso é muito mais difícil. Você não tem linhas regulares, portos onde deixar o material. Muitas vezes tivemos que construir este local. Tudo muito complicado”, disse Holtz.
 
Para abrigar os trabalhadores, foi preciso até mesmo usar uma embarcação-alojamento, com dormitório, restaurante e sistema de comunicação por telefonia e internet. Em uma das URTs, o acesso era tão complexo que o material teve que ser levado à clareira na floresta pendurado em helicópteros de carga baseados no porto de Coari, no Rio Solimões.
 
O gasoduto tem 662 km de extensão, mais 340 km com a soma dos ramais. Gera 7.000 empregos diretos e 10 mil indiretos. A vazão inicial é de 4,7 milhões de m3/dia. O projeto é chegar a uma vazão máxima de 10 milhões de m3/dia.
 
“O intuito é levar o desenvolvimento à região amazônica. Com o uso do gás natural, há redução da emissão de CO2 e, consequentemente, do efeito estufa. Antes, a energia elétrica da região vinha da queima de óleo diesel pelas usinas termelétricas. O gás subtitui o diesel. E é um benefício também político. O Brasil faz questão de divulgar a energia limpa. Na Amazônia, tínhamos geração de energia poluente. Essa energia nova, de baixo custo, levará à expansão econômica”, disse o engenheiro.