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Junho 2016 – O CPFR – Previsão, Reabastecimento e Planejamento Colaborativo e a Gripe H1N1?


Por: Sergio Silvestre Machado Pinto Teixeira

O FATO

Conforme publicado pela Folha de São Paulo, o Brasil já registra 230 mortes relacionadas à gripe pelo Vírus H1N1, um aumento de 50% em comparação aos dados registrados na última semana, segundo o Ministério da Saúde. (dados são do novo boletim epidemiológico de influenza, divulgado no dia 25 de abril.).

Mas considerando que nossa estatística não é das melhores, e que em muitos municípios carentes de recursos, tais óbitos podem ter outra causa morte, então o número de mortes por esse vírus pode ser bem maior. Para piorar esse cenário, o medicamento Tamiflu, o mais usado contra o H1N1 está em falta nas farmácias em todo o país, conforme publicado no G1 em 21/03/16.

Em comunicado no site do R7 temos a seguinte informação: “…a Roche, laboratório que fabrica o Tamiflu — um antiviral específico para o tratamento do H1N1, que tem como substância principal o fosfato de oseltamivir — informa que não registra o desabastecimento do produto, e que ele se encontra disponível no estoque do fabricante para atender à demanda de distribuidores e farmácias. Ainda de acordo com a empresa, “todos os pedidos de compra recebidos pela Roche foram entregues”. Mas o fato é que não tem no mercado distribuidor para vender às farmácias até o dia 22 de abril de 2016.

O CENÁRIO PREVISTO

Em 2009, já havia um alerta sobre essa gripe no país, conforme descrito no site da Bio Fiocruz: “Em 24 de abril de 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou a todos os países a ocorrência de uma emergência de saúde pública de importância internacional, causada pela infecção por um novo vírus influenza A(H1N1). O seu início possivelmente está associado a uma epidemia de doença respiratória febril, que acometeu o México a partir do mês de março de 2009. Essa epidemia apresentava um comportamento inusitado em relação à ocorrência de influeza sazonal, considerando a ocorrência fora do inverno, predominância em adultos jovens e uma maior ocorrência de casos graves, fato este que posteriormente não se comprovou associado à epidemia.”

Ante ao alerta da OMS, podemos constatar que não foi por falta de comunicado sobre o que poderia acontecer nos próximos anos. Então, como pode faltar esse medicamento e outros no mercado, uma vez que um bom planejamento de previsão de vendas deriva da análise de informações e restrições dos recursos internos e do cenário externo à empresa?

Como podem ocorrer falhas em produtos que são críticos para o consumidor final de saúde? Como justificar a falta do único produto para combater essa doença no mercado?

A RESPOSTA A QUESTÕES DE STOCKOUT E O EFEITO CHICOTE

Estamos em 2016, servidos das melhores tecnologias para controlar e monitorar a demanda, bem como de vários conceitos, metodologias e ferramentas para melhor gestão das organizações, onde muitas já são bem antigas.

Nesse caso específico podemos citar o CPFR aplicado na gestão da Cadeia de Suprimentos, bem como os conceitos de Resposta Rápida como: Quick Response (QR), Continuous Replesnishment (CR), Efficient Consumer Response (ECR), que são citados no Brasil há mais de 30 anos. Na verdade são estratégias compartilhadas entre empresas da mesma cadeia de suprimentos. Então, como podem ocorrer essas falhas na cadeia de suprimentos, principalmente na saúde? Como justificar a falta do único produto para combater essa doença no mercado?

Pode ser que os atores envolvidos nesta cadeia não se falam ou se falam, não conseguem um bom resultado prático, daí a falha no do planejamento ao longo da cadeia de suprimentos.

Mas essa dissintonia não é de hoje, pois historicamente os relacionamentos entre clientes e fornecedores nas cadeias de suprimentos continuam muito distantes, conflituosos e cheios de paradigmas.

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Ante a isso, podemos afirmar que, se os atores da cadeia produtiva utilizassem os conceitos da CPFR, poderiam muito bem evitar não só a falta de estoque (stockout) como também o efeito chicote (Bullwhip Effect), considerando o cenário nacional dessa endemia que teve início em 2009.

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Em meu livro em coautoria com o Prof. Otacílio Moreira (Cadeia de Suprimentos – Um novo modelo de gestão empresarial – 2015, pag. 103) citamos o seguinte sobre o tema em questão: “Muitas vezes, as empresas pensam em boas estratégias e planos de negócios, mas não têm a metodologia para efetivamente executá-las. O objetivo principal é converter a estratégia da empresa em planos táticos que possam ser executados em toda a empresa, conforme a figura

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Citando ainda os mesmos autores: “O sucesso ou insucesso deste componente em sua integração com os demais processos da Cadeia de Suprimentos está baseado na observância dos seguintes princípios:

Os princípios acima mencionados estão para a organização, como o oxigênio está para o ser humano, sem ele o organismo sucumbe.”

Na Cadeia de Suprimentos de medicamentos, o Planejamento Colaborativo tem tudo para dar certo, porque possui todas as informações de rastreabilidade (código de barra) desde o final dos anos 90, e o mercado varejista (farmácias e drogarias) está automatizado desde então. Considerando ainda que o setor hospitalar também informa sua demanda aos distribuidores e fabricantes. Então, temos aqui mais de 90% da demanda do mercado. Além disso, a indústria farmacêutica tem disponível se desejar, contratar a consultoria da IMS Health, que fornece informações sobre o mercado de medicamentos. Entidade fundada em 1954 e operando em mais de 100 países, equivalente ao Nielsen para o varejo e indústrias de bens de consumo. Enfim, existem muitas informações e tecnologias que não estão sendo utilizadas ou subutilizadas.

CONCLUSÃO

Em pleno século XXI, com farta tecnologia disponível e viável a qualquer empresa, independente do porte, a sensação que tenho sobre o CPFR nas empresas é que:

Conhecem, mas não conseguem implementá-las, por diversos motivos entre eles, a falta de colaboradores com domínio sobre o assunto;

São muitas as desculpas, mas como bem os mestres Sumantra Ghoshal e Betania Tanure, no livro Estratégia e Gestão Empresarial, existem certo comodismo no topo da pirâmide. Nesse livro podemos constatar os dilemas e a importância da liderança executiva, podendo assim entender o que ocorre e o porquê as empresas passam a dar prejuízos. Aliás o que eu tenho visto nos últimos 15 anos é a “incompetência” de executivos não só no que tange ao seu conhecimento como em sua liderança. Basta ver a rotatividade das empresas no nível de diretoria para cima, veja os links ao final do texto.

A verdade é que ninguém nesse nível pode ignorar a dinâmica da economia, ou melhor, anda extremamente dinâmica. Hora beneficia determinado(s) segmento(s) econômico(s), enquanto outros amargam ou até mesmo fecham as portas.  Executivos não preparados agem como Gnus nas savanas africanas que ao escutar um barulho qualquer correm para o lado oposto, sem identificar se o som é uma coisa boa ou ruim.

E para encerrar, a crise está aí desde o início desta década, basta ler o livro a Crise de 2008, de Paul Krugman.

http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2014/05/rotatividade-de-ceos-sobe-para-229-no-pais-e-supera-media-global.html

http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1649